quarta-feira, 11 de março de 2015

DA ANSIEDADE PARA A ESPERANÇA

Introdução: O Salmo 23 é o salmo mais famoso e querido da Bíblia. Quem não o memorizou na infância? 
Ele foi escrito cerca de 1000 anos a.C pelo poeta Davi, rei de Israel, em um momento muito difícil da sua vida – Absalão, filho de Davi, fomentava uma rebelião para tirar de seu próprio pai. Então Davi teve que fugir de Jerusalém e ficar um tempo se escondendo de Absalão (cf Sl 4:8; 3:7; 27:4; 63)
No Salmo 23, Davi nos apresenta uma autêntica fotografia de Deus. Ali você vê quão profundamente Deus nos ama. Quanto mais O conhecemos, mais confiamos nele.

Para quem foi escrito o Salmo 23? Para os ansiosos! Para os angustiados!
A ansiedade é o mal do nosso século. Você sabia que todos nós temos ansiedades de estimação? Finanças, trabalho, relacionamentos pessoais, casamento, filhos, saúde física, etc.

Li numa recente pesquisa que a ansiedade da maioria das pessoas está baseada em: 
40% de fatos que jamais acontecerão. 
30% de acontecimentos passados que não podem ser mudados. 
12% de criticas injustas e inverídicas de outras pessoas. 
10% preocupação com a saúde que somente piora com a ansiedade. 
08% de problemas reais que devem ser enfrentados.

Ansiedade é problemática por três razões: ela é improdutiva, irracional e nociva. 
Ela é improdutiva porque nunca produz um beneficio; não resolve problema algum. É correr sem sair do lugar. É como acelerar o motor do carro com o câmbio em ponto morto. Você faz bastante barulho, mas não vai a lugar algum. Ansiedade não altera o nosso passado, não controla o nosso futuro, serve apenas para tornar o nosso presente miserável.

Ela é irracional. Ela amplifica seus problemas, tornando colinas em montanhas. A ansiedade torna pequenos problemas em criaturas gigantescas.

Ela é prejudicial. O organismo humano não foi feito para ficar ansioso; é contrário à sua natureza. Quando você fica ansioso você contrai úlceras, fica com dor nas costas, dor de cabeça, insônia. Não fomos criados para cultivar ansiedade. Plantas e animais não ficam ansiosos. A única criação de Deus que sofre de ansiedade são as pessoas. Mas não fomos criados para ficar ansiosos. A ansiedade nos torna infelizes e doentios. Na raiz da palavra ansiedade está a ideia de “estrangular” ou “sufocar.” É isso o que a ansiedade faz; ela estrangula, sufoca a nossa vida. Mas isso não é natural.

Certa vez um pardal encontrou-se com uma andorinha e perguntou: 
- Eu daria tudo pra saber por que os homens vivem tão ansiosos, sempre correndo de um lado para o outro... 
Respondeu a Andorinha: - Sei não, deve ser por que... Coitados, eles não têm um Pai celestial que cuida deles como Deus cuida de nós! -- Elizabeth Cheney 
Respondeu o Pardal: Faz parte!

Ninguém é ansioso de nascença; é algo que se aprende. É necessário prática para se ficar bom nisso! A boa notícia é que se ansiedade é algo que se aprende então ela pode ser desaprendida.

Qual é o  antídoto para a ansiedade?
Eu preciso aprender que Deus cuida de mim. "O SENHOR é o meu pastor; de nada terei falta." (Salmo 23.1). 
A primeira imagem do salmo é a de um pastor. Você sabe qual é o trabalho do pastor de um rebanho de ovelhas?
1. O pastor supre as necessidades. Provê alimentação, abrigo; supre as necessidades básicas da ovelha. 
2. O pastor protege. Ele defende contra inimigos e perigos. 
3. O pastor guia. Ele mostra o caminho quando a ovelha está confusa, sem saber pra onde ir. 
4. O pastor corrige. Qualquer dificuldade ou problema que aparece, ele corrige. 
Mas quando essa palavra e atribuída a Deus, todas essas funções atingem perfeição absoluta.

Quem é o pastor do Salmo 23?

A primeira palavra do Salmo 23 é um nome próprio – Yahweh – O Senhor! 
Yahweh significa – Eu sou! Esse e o nome pelo qual Deus se relaciona com a raça humana. YAHWEH em português significa:
-Eu sou o Senhor, o Deus Eterno! Eu tenho compaixão e misericórdia, não fico irado com facilidade, e a minha fidelidade e o meu amor são tão grandes, que não podem ser medidos. Cumpro a minha promessa a milhares de gerações e perdôo o mal e o pecado. Porém não deixo de castigar os filhos, e até os netos, e os bisnetos pelos pecados dos pais.
Freqüentemente o nome do Senhor - Yahweh vem acompanhado por uma promessa:
YAHWEH SHALOM – O SENHOR É PAZ. 
Isso significa que se sua alma está angustiada, o medo e o pavor assolam a sua mente, você precisa confiar naquele que diz – a minha paz eu dou a vocês (Yahweh Shalom);
YAHWEH TSIDKENU – O SENHOR É JUSTIÇA 
Você foi roubado, injustiçado, perseguido, caluniaram com o seu nome, fizeram divida com o seu cartão de crédito, você se sente absolutamente desamparado. Ainda há esperança porque Deus é o Senhor da Justiça.
YAHWEH JIREH – O SENHOR PROVERÁ. 
Ele sabe tudo com eterna antecedência, planeja perfeitamente, providencia na hora certa.
YAHWEH SHAMMAH - EU SOU O DEUS QUE SEMPRE ESTARÁ POR PERTO.
Pois bem, o Salmo 23 começa com outro nome de Deus – YAHWEH ROI – o Senhor é meu pastor. 
Isaías 40.11 “Como um pastor cuida do seu rebanho, assim o SENHOR cuidará do seu povo.” 
Deus está prometendo: “Eu suprirei.” Ele não está dizendo “talvez” ou “ vou pensar a respeito” ou “possivelmente.” Veja a perfeição do caráter de Deus aqui – ele não faz promessas que não há de cumprir. Ele não é como os homens que falam, mas não escrevem. Deus é fiel.
Em Filipenses 4.19: “O meu Deus suprirá todas as necessidades de vocês, de acordo com as suas gloriosas riquezas em Cristo Jesus.”
Isso não significa que Deus vai fazer todas as suas vontades. Há uma diferença entre necessidades e vontades. Se Deus fizesse todas as suas vontades, você seria a criatura mais egoísta do universo. Ele não vai satisfazer todas as suas vontades. Eventualmente, você ficaria descontente. Mas Deus está dizendo: “Eu suprirei todas as suas necessidades.” 
Davi afirma que ele não sente falta de nada porque Deus supre todas as necessidades. Qual é a abrangência da palavra “todas”? 
Necessidades espirituais? Emocionais? Necessidades materiais? Saúde física? Relacionamentos quebrados? Sim. Todas as necessidades. Deus é poderoso para suprir todas as suas necessidades, proteção, direção, corrigir os problemas na sua vida. 
Se Jesus Cristo é o seu Pastor, ficar ansioso não é somente improdutivo, irracional e prejudicial – mas é desnecessário. Cultivar ansiedade é uma atitude ateísta. Equivale a dizer que Ele não irá suprir as minhas necessidades e, portanto, eu terei que dar um jeito na situação. Ansiedade é ateísmo na prática.
Davi dizia – O Senhor é o meu pastor. Você tem um pastor? Quem é o pastor da sua vida? Deus não é Pastor de todas as pessoas. Ele é somente Pastor daqueles que confiam nEle, daqueles que reconhecem o seu poder, a sua autoridade, submetem-se inteiramente a Ele.
Se o seu pastor e o seu trabalho, você nunca se sentirá descanso porque o trabalho nunca se farta. 
Se o seu pastor é o lazer, o descanso, a praia, a chácara, shopping, cinema, você nunca se sentirá satisfeito, sempre faltará sossego ao seu coração. 
Se o seu pastor e o seu cônjuge, você nunca se sentirá completo, porque somente Deus completa o ser humano.

Como Jesus se Torna o Meu Pastor?

1. Eu recebo Jesus como o Senhor da minha vida.

“O SENHOR é o meu Pastor.”
A palavra chave aqui é – Entrega, renúncia. 
Você reconhece Deus como Senhor da sua vida, então ele se torna seu pastor.
O que significa ser O Senhor? Significa estar no controle. Hoje em dia dizemos chefe, gerente geral, CEO, presidente. Ser O Senhor significa dar as ordens. 
Jesus Cristo é o Senhor da sua vida se Ele é quem dá as ordens na sua vida:
Lucas 6:46 Por que me chamais Senhor, Senhor, e não fazeis o que vos mando?
O Senhor é aquele que é obedecido. Caso contrário, Ele não é o Senhor. E se Ele não é Senhor, Ele não é o Pastor. Porque o Senhor é o meu Pastor. 
Receber a Jesus como Senhor implica em 3 atitudes: 
Jesus disse: “Eu sou o bom pastor; conheço as minhas ovelhas, e elas me conhecem ... as minhas ovelhas ouvem a minha voz, e elas me seguem.” (João 10.14,27)

As três palavras que descrevem o significado de ter a Jesus como Senhor: conhecer a Jesus, ouvir a Jesus e seguir a Jesus. É assim que Deus assume o comando. 
Quem está no controle da sua vida? O próprio Deus é quem nos concede essa escolha. Ele não se impõe na vida de pessoa alguma.

Há duas opções: eu estar no controle da minha vida ou colocar nas mãos de Deus o controle da minha vida. Deus não aceita ser co-piloto. Deus sabe o que é bom para a nossa vida, melhor do que nós mesmos. Ele tem o poder para guiar a nossa vida, mas mesmo assim Ele nos dá a opção de escolha.

Se você está comandando a sua própria vida, você está agindo em lugar de Deus. Agir em lugar de Deus é a raiz da ansiedade. Se você está no controle da sua vida, você tem toda a razão para ficar ansioso. A maior parte de tudo o que acontece em nossa vida está fora do nosso controle. Portanto, há razões de sobra para a ansiedade.

Por outro lado, se Deus é quem está no comando da sua vida e Ele é o seu Senhor e seu Pastor, você sabe que Ele pode controlar todas as coisas, e você não precisa se preocupar. Eu escolho Jesus como o Senhor da minha vida.

2. Eu preciso entregar toda a vida diante de Deus

Fale com Deus a respeito de tudo que lhe causa ansiedade. Faça oração. 
Ah, você não tem tempo para orar? Certo. 
Mas onde você encontra tempo para ficar ansioso?

A ansiedade não muda coisa alguma; a oração muda. Ansiedade é agitação que não produz coisa alguma. Enquanto que a oração nos coloca em contato com Deus que pode mudar todas as coisas. Toda vez que eu sinto ansiedade, eu fico diante de duas opções: eu posso entrar em pânico ou eu posso orar.
Filipenses 4.6 “Não andem ansiosos por coisa alguma, mas em tudo, pela oração e súplicas, e com ação de graças, apresentem seus pedidos a Deus. E a paz de Deus, que excede todo entendimento, guardará o coração e a mente de vocês em Cristo Jesus.”


Viu? O texto diz ‘em tudo’. Não ore somente por assuntos da sua vida espiritual. A maioria das pessoas, quando elas oram, elas fazem orações que elas acham que Deus quer ouvir. Ore por tudo. Se algum problema é suficiente para produzir ansiedade, então é suficiente para ser apresentado em oração. 
Lancem sobre Deus toda a sua ansiedade, porque Ele tem cuidado de vocês. 1 Pedro 5.7

Lançar significa descarregar, despejar. A palavra grega literalmente significa soltar, liberar. Oração é a corda estendida para tirar você do poço da ansiedade e levá-lo ao rio da Esperança.

Tudo - seja lá o que for que lhe deixa estressado, irritado, agitado. Lance tudo sobre Ele. Descarregue sobre Ele. O problema é que a maioria de nós lança ansiedade do mesmo jeito que a gente pesca. Lançamos nossas ansiedades e, logo depois, rebobinamos a carretilha.

"O nascimento da ansiedade é a morte da fé, e o inicio de uma fé genuína é a morte da ansiedade." George Muller.

Há uma terceira coisa que precisamos fazer para lidar com a ansiedade:

3. Preciso viver um dia de cada vez.

Focalize, concentre-se em viver um dia de cada vez. 
Mateus 6.34 “Não fiquem preocupados com o dia de amanhã, pois o dia de amanhã trará as suas próprias preocupações. Para cada dia bastam as suas próprias dificuldades.”


Jesus está dizendo: Não abra o guarda-chuva enquanto não estiver chovendo. Hoje é o amanhã sobre o qual você se preocupou ontem. Quando ficamos ansiosos não alteramos coisa alguma a respeito do que já passou; não podemos controlar o que vai acontecer no futuro. Portanto, simplesmente estragamos o nosso presente. Os acontecimentos futuros podem nos ser ameaçadores. Assim sendo, Deus nos dá o futuro em segmentos de 24 horas! Viva um dia por vez!

Mateus 6.11 “Dá-nos hoje o nosso pão de cada dia.” 
Vencer a ansiedade é uma batalha de todos os dias. Não existe um comprimido para a cura da ansiedade. Não existe um curso ou livro que nos impeça de ficar ansiosos. Não existe uma experiência espiritual pela qual possamos passar e que nos torne imunes à ansiedade. O antídoto para ansiedade é hora após hora, momento após momento dizermos: “Eu creio que o Senhor é o meu Pastor”
Quem está comandando a minha vida? Quem está dando as ordens? Se eu é que estou no comando, então eu tenho razão de sobra para ficar ansioso. Mas se Deus está no comando, a responsabilidade é dEle e Ele tem capacidade prá dar conta do recado.

O que é que deixa você ansioso? O que é que tira você do sério, que leva você a indagar “Será que algum dia as coisas vão dar certo?” O que é que, quando lhe vem à mente, provoca um “frio” no estômago?

Eu não sei o que possa ser, mas não importa. Deus sabe. Deus sabe exatamente tudo o que se passa com você.
“O seu Pai Celestial já sabe perfeitamente o que vocês precisam e lhes concederá todas essas coisas se vocês O colocarem em primeiro lugar nas suas vidas e viverem do modo como ele quer.” (Mateus 6.32-33)
Ao chegar de volta à sua casa, hoje, leia o Salmo 23. Você vai encontrar os pronomes “eu”, “meu” e “minha” dezessete vezes em seis versos. Este é um salmo intensamente pessoal.

A palavra “tu” (ou “Senhor”) – com referência a Deus – ocorre cinco vezes. “Ele” ou “Seu” é usado umas 7 ou 10 vezes.
Este salmo fala de um relacionamento pessoal com Deus. Este é o antídoto para o seu estresse. Nenhuma religião pode parar a ansiedade. Não é de religiâo que você precisa. Você precisa de um relacionamento. Você precisa de um Pastor – alguém que supre necessidades, protege, dá direção e corrige. Deus diz: “É para isso que Eu criei você. Não criei você para ser religioso. Criei você para me conhecer.” Deus sabe tudo a seu respeito; Ele quer que você O conheça. Foi por isso que Deus enviou Jesus Cristo.

Eu convido você a tomar o primeiro passo, abrindo a sua vida para Jesus Cristo, se você ainda não fez isso. Peça que Jesus Cristo se torne o seu Senhor – seu chefe, comandante – e Pastor, assim como Ele prometeu fazer.

Eu não sei sobre o que você está apreensivo ou estressado, mas de uma coisa estou certo: “ Deus ama você profundamente. Ele se importa com sua ansiedade, e Ele pode ajudá-lo. “O Senhor é o meu Pastor.”

Coloque ênfase em cada palavra. “O Senhor é o meu Pastor.” – há somente um verdadeiro Senhor; todos os demais são falsos, imitações.

“O Senhor é o meu Pastor” – não é pode ser. Ele será, Ele sempre foi, Ele sempre será.

“O Senhor é o meu Pastor” – Você pode fazer esta afirmação com segurança? O Senhor é o seu Pastor? O Pastor é o seu Senhor? Ele não pode ser um, sem ser o outro. Quando você fizer esta afirmação com sinceridade, a sua ansiedade vai acabar. Pare de carregar esse peso. É desnecessário.

segunda-feira, 9 de março de 2015

Sinais do Fim - A Destruição de Jerusalém

Sempre que se fala em escatologia (estudo sobre os tempos e eventos finais) e nos sinais que antecederão a volta de Jesus Cristo, pensamos logo nos mais evidentes: guerras e rumores de guerras; fomes e doenças; terremotos e calamidades, entre outros. Porém, alguns sinais são mais insinuosos e um desses diz respeito à profecia que Jesus fez acerca da destruição da cidade de Jerusalém.

Cerca de 2.000 anos a.c., Deus chamou a Abraão para com ele fazer uma aliança e fez a promessa que dele faria uma grande nação. Abraão gerou Isaque e esse, por sua vez, gerou a Jacó, cujo nome foi mudado para Israel (ver Gênesis, 32: 22-32). Jacó ou Israel teve 12 filhos homens que deram origem às 12 tribos de Isarel, iniciando-se aí a formação do povo judeu ou povo de Israel.

A aliança de Deus com Abraão se concretizou e tomou forma final quando o povo de Israel peregrinava no deserto do Sinai, após sua fuga do Egito: "Tomou, pois, Moisés aquele sangue, e o aspergiu sobre o povo, e disse: Este é o sangue da aliança que o Senhor fez convosco no tocante a todas estas palavras." (Êxodo, 24: 8). Às palavras de Deus, repassadas por Moisés, o povo, em uma só voz asseverou: "Tudo o que o Senhor falou, faremos. E relatou Moisés ao Senhor as palavras do povo. (...) e o povo respondeu a uma voz: Tudo o que o Senhor falou, faremos. Então tomou o livro da aliança, e o leu ao povo, e eles disseram: Tudo o que o Senhor falou faremos, e obedeceremos." (Êxodo, 19: 8 e 24: 3 e 7).

É importante ressaltar que Deus escolheu um povo para que fosse guardador e difusor de Suas verdades. Em meio a um mundo dominado pelo paganismo era interesse de Deus que um grupo de pessoas preservassem a verdadeira adoração ao Deus criador e, além disso, levasse esses conhecimentos aos povos com os quais eles entrassem em contato. Infelizmente, os judeus fracassaram nessa missão e, para piorar, após o reinado do Rei Davi, eles próprios se afastaram de Deus e caíram em idolatria (ver livros de I Reis e II Reis) e, paulatinamente, tornaram-se fechados e exclusivistas. Porém, Deus sempre manteve um remanescente, ou seja, um grupo fiel às Suas verdades e aos Seus princípios; podemos citar, rapidamente, algumas pessoas que,  em meio à corrupção do povo, mantiveram-se fieis a Deus: José, Elias, Eliseu, Daniel, Josias, Isaías, Jeremias, Ezequiel, Davi e muitos outros. Em função desse afastamento, Deus permitiu que, mais uma vez, Seu povo fosse levado ao exílio; desta feita em Babilônia.

No passado, o rei Davi demonstrou a Deus sua intenção de construir um templo em Jerusalém, o que o Senhor não o permitiu, afirmando que um de seus descendentes é que eregiria o templo (ver II Samuel, 7). Trata-se de Salomão, o filho de Davi que o sucedeu no trono sobre Israel. Conta a história que o templo de salomão era algo magnífico, construído com madeiras do Líbano (cedros e ciprestes) e com grande quantidade de ouro. O templo, à época dos patriarcas e dos reis, era o centro da religião judaica; Deus ali se manifestava por meio do Shekinah. Como o povo caiu em idolatria e pecado, Deus permitiu que o rei Nabucodonosor, rei de Babilônia, destruisse a cidade de Jerusalém e junto com ela o magnífico templo de Salomão e, para piorar, Nabucodonosor levou todos os utensílios sagrados do templo para sua cidade. A derrota do povo de Israel não tinha sido somente uma derrota bélica, mas uma derrota espiritual.

Porém, Deus na Sua infinita misericórdia prometera ao povo, por meio do profeta Jeremias, que esse novo cativeiro duraria 70 anos e que após esse tempo o povo voltaria a habitar sua terra natal (ver Jeremias, 25: 11 e 12 e 29: 10). Além dessa promessa, o Senhor fez uma outra de grande significado, por meio do profeta Ageu: "É esta a aliança que fiz convosco, quando saístes do Egito. E o meu Espírito habita no meio de vós. Não temais. Assim diz o Senhor dos Exércitos: Ainda uma vez, dentro em pouco, abalarei os céus, e a terra, e o mar, e a terra seca. Abalarei todas as nações, e o desejado de todas as nações virá, e encherei esta casa de glória, diz o Senhor dos Exércitos. Minha é a prata, e meu é o ouro, diz o Senhor dos Exércitos. A glória desta última casa será maior do que a da primeira, diz o Senhor dos Exércitos, e neste lugar darei a paz, diz o Senhor dos Exércitos." (Ageu, 2: 5-9).

Séculos após a destruição do templo de Salomão, por volta do ano 515 a.c. foi erigido um segundo templo, que se tornou conhecido como templo de Herodes. Referindo a esse segundo templo foi que Deus afirmou que sua glória seria maior que a do primeiro. Sabemos pela história que o segundo templo foi um templo belo, mas que não sobrepujou a beleza e imponência do primeiro. O historiador Flávio Josefo, que viveu no primeiro século depois de Cristo, descreveu assim o templo de Herodes:"nada faltava ao exterior do templo para deixar deslumbrados os olhos e a mente. Sendo recoberto por todos os lados com placas maciças de ouro, tão logo despontava o sol, começava o templo a emitir brilhantes raios,  com tal intensidade, que as pessoas que tentassem contemplá-lo teriam que proteger os olhos, como fariam em relação aos raios do sol. Aos estranhos que se aproximavam da cidade, o templo se assemelhava a uma montanha coberta de neve, pois tudo aquilo que não estava recoberto de ouro era absolutamente branco." (The Jewish War, 5.222 [Loeb 3: 269] in MAXWELL, C. Mervyn, Uma nova era segundo as profecias do Apocalipse, p. 16).

Mas, se o segundo templo não sobrepujou a beleza e a imponência do primeiro templo, como Deus pôde afirmar, por meio do profeta Ageu, que a glória do segundo templo seria maior que a do primeiro? Justamente aí, falhou o povo de Israel, ou seja, perderam de vista que o que glorificava o templo não eram as placas de ouro ou as peças de mármore, mas a presença do Senhor dos Exércitos. Em função do exílio e dos sofrimentos advindos em decorrência do pecado e da idolatria, os líderes religiosos judeus lançaram uma sobrecarga sobre as leis divinas (os Dez Mandamentos e as leis civis e cerimoniais dadas a Moisés), levando o povo a uma obediência excessiva e, porque não dizer, opressiva; fixaram seus olhos, sua mente e seus corações na Lei e esqueceram-se do Autor da Lei e isso era tão grande pecado quanto os atos passados do povo.

Ao final dos seus três anos de ministério e uma semana antes de seu suplício, Jesus Cristo caminhava para Jerusalém e ao chegar próximo pôde vislumbrar a Cidade Santa e, como profeta, divisar quão ímpia era agora aquela cidade que por tempos foi a própria morada de Deus entre os homens. Foi por isso que "Quando ia chegando, vendo a cidade, chorou sobre ela, dizendo: Ah! se tu conhecesses, ao menos neste dia, o que à tua paz pertence! Mas agora isso está encoberto aos teus olhos. Dias virão sobre ti em que os teus inimigos te cercarão de trincheiras, e te sitiarão, e te apertarão de todos os lados. Derrubar-te-ão, a ti e a teus filhos que dentro de ti estiverem. Não deixarão em ti pedra sobre pedra, porque não reconheceste o tempo da tua visitação." (Lucas, 19: 41-44). Jesus, nessa predição, foi claro em afirmar que o pecado daquele povo foi não recebê-lo como o Messias, como o Salvador enviado para salvar a humanidade; mais uma vez aquela cidade estava condenada à destruição; ela e o centro da religião judaica: o templo.

Jesus não só foi rejeitado pelos seus, foi também condenado a uma morte ignominiosa. Ao condenar o Filho de Deus a uma morte violenta e vergonhosa, o povo de Israel estava a selar o seu destino enquanto povo escolhido, e quando afirmaram: "o Seu sangue caia sobre nós e sobre os nossos filhos." (Mateus, 27: 25), definitivamente determinaram seu destino e trouxeram grande maldição sobre si. Com tristeza profunda a encher-lhe o coração, Jesus predisse a destruição de Jerusalém, afirmando que não ficaria pedra sobre pedra que não fosse derrubada (ver Lucas 21 e Mateus 24).

Além disso, na destruição da Santa Cidade, estava prefigurada a destruição que em breve se abaterá sobre esse planeta, também por causa da impenitência, rebeldia e desobediência da raça humana; assim como os judeus atraíram sobre si destruição, o ser humano, impenitente, rebelde e desobediente, está a atrair sobre si a ira de Deus sem mistura de misericórdia (ver Apocalipse, 14: 10).

Deus, por causa do pecado persistente do povo de Israel, retirara Seu Santo Espírito de Jerusalém, assim será também nesses últimos dias e, sem a atuação do Espírito Santo a reter as forças das trevas, Satanás, o arquiinimigo de Deus, terá livre acesso às almas, levando os homens a se entregarem às paixões mais vis e aos pecados mais assustadores. O apóstolo Paulo, antevendo os últimos dias escreveu: "Sabe, porém, isto: Nos últimos dias sobrevirão tempos difíceis; pois os homens serão amantes de si mesmos, gananciosos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos, sem afeição natural, irreconciliáveis, caluniadores, sem domínio de si, cruéis, sem amor para com os bons, traidores, atrevidos, orgulhosos, mais amigos dos prazeres do que amigos de Deus, tendo aparência de piedade, mas negando-lhe o poder. Afasta-te também destes." (II Timóteo, 3: 1-5).

"Cristo viu em Jerusalém um símbolo do mundo endurecido na incredulidade e rebelião, e apressando-se ao encontro dos juízos retribuidores de Deus. As desgraças de uma raça decaída, oprimindo-lhe a alma, arrancavam de Seus lábios aquele clamor extremamente amargurado. Viu a história do pecado traçada pelas misérias, lágrimas e sangues humanos; o coração moveu-se-lhe de infinita compaixão pelos aflitos e sofredores da Terra; angustiava-se por aliviar a todos. Contudo, mesmo a Sua mão não poderia demover a onda das desgraças humanas; poucos procurariam a única fonte de auxílio. Ele estava disposto a passar pela morte, a fim de colocar a salvação ao seu alcance; poucos, porém, viriam a Ele para que pudessem ter vida." (WHITE, Ellen G., O Grande Conflito, p. 22).

No ano 70 d.c. Jerusalém foi destruída pelo exército romano. Jesus, em conversa com Seus discípulos, alertou-os: "Quando virdes Jerusalém cercada de exércitos, sabereis que é chegada a sua desolação." (Lucas, 21: 20); "Portanto, quando virdes que a abominação da desolação, de que falou o profeta Daniel, está no lugar santo (quem lê, entenda), então, os que estiverem na Judéia, fujam para os montes." (Mateus, 24: 15 e 16); e os que creram em Suas palavras e fugiram, ao verem Jerusalém sitiada pelos exércitos de Tito, não pereceram na destruição da cidade. Fontes históricas relatam a dramaticidade da luta e do sofrimento daqueles que permaneceram dentro dos muros de Jerusalém: “É então um caso miserável, uma visão que até poria lágrimas em nossos olhos, como os homens aguentaram quanto ao seu alimento ... a fome foi demasiado dura para todas as outras paixões... a tal ponto que os filhos arrancavam os próprios bocados que seus pais estavam comendo de suas próprias bocas, e o que mais dava pena, assim também faziam as mães quanto a seus filhinhos... quando viam alguma casa fechada, isto era para eles sinal de que as pessoas que estavam dentro tinham conseguido alguma comida, e então eles arrombavam as portas e corriam para dentro... os velhos, que seguravam bem sua comida eram espancados, e se as mulheres escondiam o que tinham dentro de suas mãos, seu cabelo era arrancado por fazerem isso...” (JOSEFO, Flávio. Guerras dos Judeus, livro 5, capítulo 10, seção 3).

O mesmo historiador relata como era o povo que habitava aquela cidade: “Eu falarei portanto aberta e francamente aqui de uma vez por todas e brevemente: que nenhuma outra cidade sofreu tais misérias nem nenhuma era produziu uma geração mais frutífera em perversidade do que era esta, desde o começo do mundo.” (Guerras, livro 5, capítulo 10, seção 5).

Jesus predisse com enorme exatidão a destruição de Jerusalém e os sofrimentos e tribulações daqueles dias; portanto, não podemos ser incrédulos quando Cristo afirma: "Vede que ninguém vos engane. Porque virão muitos em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo, e enganarão a muitos. E, certamente, ouvireis falar de guerras e rumores de guerras; vede, não vos assusteis, porque é necessário assim acontecer, mas ainda não é o fim. Porquanto se levantará nação contra nação, reino contra reino, e haverá fomes e terremotos em vários lugares; porém tudo isto é o princípio das dores. Então, sereis atribulados, e vos matarão. Sereis odiados de todas as nações, por causa do meu nome. Nesse tempo, muitos hão de se escandalizar, trair e odiar uns aos outros; levantar-se-ão muitos falsos profetas e enganarão a muitos. E, por se multiplicar a iniquidade, o amor se esfriará de quase todos. Aquele, porém, que perseverar até o fim, esse será salvo. E será pregado este evangelho do reino por todo o mundo, para testemunho a todas as nações. Então, virá o fim." (Mateus, 24: 4-14).

Assim como Jesus revelou aos Seus discípulos sinais que antecederiam a destruição de Jerusalém, Ele deixou registrado em Sua Palavra sinais que antecederiam a Sua volta e a destruição do planeta, tal qual nós o conhecemos hoje. Sendo assim, como muitos dos Seus discípulos, atentos aos sinais, conseguiram escapar da destruição e morte, cabe a nós estarmos, também atentos ao sinais que já vemos acontecer, para fugir da ira vindoura de Deus, e sermos achados dignos de estarmos em pé diante do Cordeiro de Deus quando este, cingido com suas vestes de justiça, vier para buscar aqueles que creram em Seu Santo nome e fizeram a Sua vontade.

"Aqui está a paciência dos santos, daqueles que guardam os mandamentos de Deus e a fé em Jesus." (Apocalipse, 14: 12).

O templo de Jerusalém fora destruído, junto com a cidade, por causa dos pecados do povo de Israel e de sua impiedade. Hoje o templo de Deus é cada um de nós; é trabalho individual e pessoal não permitir que, por conta da incredulidade, impiedade, idolatria e pecado, o templo do Espírito Santo seja destruído no grande dia da ira do Senhor.