domingo, 24 de julho de 2016

O MÉRITO É DELE!

“Ai, senhor meu, com que livrarei a Israel? Eis que o meu milheiro é o mais pobre em Manassés e eu o menor na casa de meu pai. E o Senhor lhe disse: Porquanto Eu hei de ser contigo, tu ferirás os midianitas como se fossem um só homem.” (Jz 6.15-16)Um Deus santo não tem nenhuma obrigação de conceder graça a pecadores, mas Ele assim o faz segundo o bem querer da Sua vontade. Ele demonstra graça ao estender Seu favor, Sua misericórdia e Seu amor para suprir a necessidade do ser humano. Visto que o caráter de Deus é composto de graça, movido por bondade Ele espontaneamente se dispõe a conceder Sua graça à humanidade pecadora em nosso tempo de aflição. A graça de Deus pode ser definida como “aquela qualidade intrínseca do ser ou essência de Deus, pela qual Ele, em Sua disposição e atitudes, é espontaneamente favorável” a outorgar favor imerecido, amor e misericórdia àqueles que Ele escolhe dentre a humanidade desmerecedora.1

A Declaração da Graça de Deus

Ao longo de toda a Bíblia, a graça de Deus se manifestou em três estágios. No primeiro, Deus revelou Sua bondade e graça ao demonstrar misericórdia, favor e amor para com todos os homens em geral, mas para com Israel em particular. No segundo estágio, Deus expressou ou apresentou Sua graça, de forma mais clara, através de Jesus Cristo, o qual veio ao mundo para pagar pelos pecados do homem mediante Sua morte sacrificial na cruz. No terceiro, a graça de Deus proporciona salvação e santificação a todos os que, pela fé, confiam em Jesus Cristo como Salvador e Senhor de suas vidas.
Na Septuaginta, uma antiga tradução das Escrituras do Antigo Testamento para a língua grega, o termo grego traduzido por “graça” é charis que significa “graça ou favor imerecido”. As Escrituras Hebraicas não possuem nenhum termo hebraico equivalente. Os termos originais hebraicos traduzidos na Septuaginta por charis são chanan ou chen,que se traduzem por “graça”, “favor” ou “misericórdia”.
Essas duas palavras hebraicas são usadas no Antigo Testamento para retratar o mesmo significado de charis: (1) mostrar misericórdia para com o pobre (Pv 14.31); (2) proporcionar misericórdia àqueles que invocam a Deus em tempo de angústia (Sl 4.1; 6.2; 31.9); (3) demonstrar favor a Israel no Egito (Êx 3.21; 11.3; 12.36); e (4) conceder (Deus) Sua graça a determinadas pessoas, tais como Noé (Gn 6.8), José (Gn 39.21), Moisés (Êx 33.12,17), e Gideão (Jz 6.17). Além disso, a graça de Deus será derramada sobre a nação de Israel no tempo da sua salvação (Zc 12.10).

A graça e a misericórdia também foram manifestadas a nações inteiras. O Senhor, por Sua graça, libertou o povo de Israel da escravidão no Egito.
Outros termos hebraicos, tais como,racham ou rachamim (i.e., “misericórdia”) echesed (“amor leal” ou “bondade”) muitas vezes ocorrem juntos no texto hebraico para expressar o conceito da graça de Deus (Êx 34.6; Ne 9.17; Sl 86.15; 145.8; Jl 2.13; Jn 4.2). Graça, amor e misericórdia estão explicitados na aliança de Deus com o rei Davi, a qual se estendeu a seu filho Salomão mesmo depois que este veio a pecar no decurso de sua vida (2 Sm 7.1-17).
Deus não outorgou Seu amor e graça a Israel por qualquer mérito dessa nação. Deus escolheu Israel para que fosse o povo de Sua propriedade exclusiva através de um ato de pura graça (Dt 7.6-9).
A graça e a misericórdia também foram manifestadas a nações inteiras. O Senhor, por Sua graça, libertou o povo de Israel da escravidão no Egito, supriu as necessidades da nação durante sua peregrinação no deserto e lhes concedeu a terra de Canaã. O amor do profeta Oséias por sua esposa Gômer, uma prostituta, ilustrava a graça e misericórdia de Deus para com Israel. Embora Gômer fosse uma esposa infiel, Oséias demonstrou-lhe graça, misericórdia e amor, ao resgatá-la do mercado de escravos pelo pagamento de um preço. Ela tipificava a nação de Israel redimida da escravidão do pecado.
Pela graça de Deus a ímpia cidade de Nínive foi poupada da destruição ao arrepender-se de seu pecado com a pregação de Jonas.
No Novo Testamento, o conceito de graça encontra uma expressão mais precisa, rica e completa no termo grego charis, o qual ocorre, no mínimo, por 170 vezes. A graça de Deus assume uma dimensão pessoal totalmente nova e se torna evidente ao ser humano nas palavras e obras do ministério redentor de Jesus Cristo. Que prova maior da graça de Deus poderia ser dada do que essa da salvação?
Foi o próprio Deus que, em Sua bondade e graça, tomou a iniciativa de providenciar a salvação para o homem após a queda de Adão no pecado. A graça de Deus se revela à humanidade de duas maneiras fundamentais:

A Graça Comum

A graça comum se refere ao imerecido favor, amor e cuidado providencial de Deus, estendidos a toda a raça humana em corrupção, pelos quais Deus derrama Suas bênçãos sobre todos em geral, tanto sobre os salvos quanto sobre os descrentes (Sl 145.8-9). Deus refreia Sua ira contra a humanidade pecadora, concedendo a uma nação ou a uma pessoa o tempo necessário para que se arrependa – o que vem a ser uma extensão da graça comum do Senhor.
graça comum também pode ser constatada na obra do Espírito Santo, quando este move o coração de uma pessoa ao persuadi-la(lo) e convencê-la(lo) da necessidade de buscar a salvação por intermédio de Jesus Cristo (Jo 16.8-11).

A Graça Especial


Graça = Favor imerecido que Deus concede ao homem.
A segunda maneira de Deus revelar Seu favor é através da graça especial,comumente denominada de graça eficaz, efetiva ou graça salvadora. A graça de Deus é eficaz na medida em que produz salvação na vida dos indivíduos eleitos que depositam sua fé na morte de Cristo e no sangue que Ele derramou na cruz para remissão de seus pecados. A graça eficaz é conhecida por experiência no momento em que Deus, pela instrumentalidade do Espírito Santo, opera de forma irresistível na mente e no coração de uma pessoa, de modo que o indivíduo escolha livremente crer em Jesus Cristo como seu Salvador.
Os crentes em Cristo são chamados, não segundo suas obras de esforço próprio, mas conforme a “determinação e graça” de Deus (2 Tm 1.9).
O apóstolo Paulo é um exemplo clássico da chamada eficaz de Deus. Ele foi chamado, não por sua vontade, mas “pela vontade de Deus” (1 Co 1.1). Na realidade, ele tentava destruir a Igreja até o momento em que se converteu a Cristo, conversão essa que ocorreu pela graça de Deus (At 9).

A Demonstração da Graça de Deus

A graça de Deus se evidencia de diversas maneiras na vida de um crente em Cristo.

Graça Salvadora

A palavra salvação é um termo abrangente. Refere-se ao ato redentor de Deus pelo qual Ele, no presente momento, redime o indivíduo da penalidade e do poder do pecado, e, no futuro, libertará o crente em Cristo da presença do pecado na ocasião da glorificação dos salvos. A salvação é um dom gratuito de Deus, concedido a uma pessoa em virtude da graça, por meio da fé, independente de qualquer obra ou mérito da parte da pessoa que o recebe. No momento da salvação, a graça imerecida e a fé do crente são dons que procedem diretamente do Senhor àqueles que põem sua fé em Cristo (Ef 2.8-9).
A graça da salvação, oferecida na atual dispensação, inclui cada aspecto da obra redentora de Deus em favor dos crentes em Jesus e abrange a redenção, a propiciação, a justificação, o perdão, a santificação, a reconciliação e a glorificação para aquele que, pela fé, recebe a Cristo.

Graça Santificadora


Deus, por intermédio do Espírito Santo, providenciou dons espirituais sobrenaturais com o objetivo de equipar e capacitar cada crente em Cristo para o seu ministério [i.e., serviço] na igreja local.
Naquele momento em que a pessoa, pela fé, recebe a Cristo, ele (ou ela) é santificado pela graça de Deus. A palavrasantificação significa “tornar santo” ou “separar para Deus” com propósito ou uso sagrado. A Bíblia menciona pessoas, lugares, dias e objetos inanimados consagrados (i.e., separados) a Deus. No que se refere a um indivíduo, a santificação pode ser definida como a obra da livre graça de Deus através do Espírito Santo, na qual Ele separa o crente para ser amoldado ou conforme à imagem de Cristo.
As Escrituras se referem a três estágios de santificação pela graça de Deus. O primeiro deles é o da santificação posicional que diz respeito à posição santa do crente perante Deus, fundamentada na redenção que Cristo efetuou a seu favor.
O segundo estágio é o da santificação progressiva, na qual o crente em Cristo se encontra no processo de ser santificado através da Palavra de Deus (Jo 17.17). Os crentes são exortados a crescer “na graça” (2 Pe 3.18); na busca desse crescimento, tornam-se recipientes do favor imerecido que procede do Senhor. O crescimento na graça não é obtido por meios naturais, mas se dá através do estudo da Palavra de Deus (2 Pe 1.2-3,5-6,8). À medida que um crente em Jesus cresce na graça, o fruto do Espírito se torna manifesto através da vida dele ou dela (Gl 5.22-23), levando a pessoa a uma conformidade com a imagem e semelhança de Cristo (Rm 8.29).
O terceiro estágio é o da santificação completa ou perfeita, que os crentes conhecerão por experiência quando receberem seus corpos glorificados e se completar a sua redenção (Rm 8.30; Ef 5.27). Esse acontecimento se concretizará na ocasião do Arrebatamento da Igreja (1 Co 15.51-52; 1 Ts 4.16-17).

Graça Servidora

A palavra dom (do termo grego charisma: “dádiva ou dom da graça”) se refere a um favor que alguém recebe gratuitamente, sem merecê-lo. Deus, por intermédio do Espírito Santo, providenciou dons espirituais sobrenaturais com o objetivo de equipar e capacitar cada crente em Cristo para o seu ministério [i.e., serviço] na igreja local. Não existe apenas um dom, mas, sim, uma diversidade de dons que o Espírito Santo concede aos crentes (Rm 12.6-8; 1 Co 12.8-11; Ef 4.7,11-12; 1 Pe 4.11).

O sofrimento faz parte da condição humana, em virtude do pecado, do envelhecimento do corpo, da desobediência ao Senhor, ou da punição de Deus.
Os crentes dispõem de “diferentes dons segundo a graça que [por Deus] nos foi dada” (Rm 12.6). Alguns crentes possuem uma abundância de dons, enquanto outros possuem apenas um ou dois. Esses dons, ou graças, não são dons, talentos ou habilidades naturais; pelo contrário, são dons proporcionados por Deus, os quais, através do crente, efetuam a edificação do Corpo de Cristo, rendendo, assim, a glória que pertence a Deus.
No uso de seu dom, um crente deve se dirigir às outras pessoas com uma atitude de graça. O apóstolo Paulo declarou: “A vossa conversa seja sempre com graça” (Cl 4.6; conforme a Tradução Brasileira). No que dizia respeito ao serviço para o Senhor, Paulo estava equipado, não com sua própria força e poder, mas com a graça de Deus que lhe fora outorgada. Ele disse: “...trabalhei muito mais do que todos eles; todavia, não eu, mas a graça de Deus comigo” (1 Co. 15.10).

Graça Sofredora

O sofrimento faz parte da condição humana, em virtude do pecado, do envelhecimento do corpo, da desobediência ao Senhor, ou da punição de Deus. Paulo tinha um “espinho na carne” (i.e., uma debilidade física) que ele, por três vezes, suplicara a Deus para que fosse removido. Cada uma de suas súplicas recebeu esta mesma resposta: “A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza” (2 Co 12.9). Em outras palavras, a graça de Deus era suficiente para fortalecer Paulo em sua dificuldade física, de modo que ele a pudesse suportar. O mesmo acontece com os crentes nos dias atuais. Deus proporciona a graça suficiente para nos fortalecer em meio a qualquer provação, tentação ou período de sofrimento.
Paulo resumiu isso com muita propriedade, quando escreveu: “Porquanto a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens” (Tt 2.11). Isso diz tudo. Junto com a compositora daquele hino, cantamos: “Maravilhosa, infinita, incomparável...” é a surpreendente graça de Deus

sábado, 23 de julho de 2016

Quem é o ladrão que veio para roubar, matar e destruir?


“O ladrão não vem senão a roubar, a matar, e a destruir; eu vim para que tenham vida, e a tenham com abundância” (João 10 : 10).


No capítulo 10 do evangelho de João encontramos uma linda narrativa de Jesus a respeito do ministério pastoral, mostrando o cuidado do pastor para com as ovelhas. Infelizmente, a grande maioria dos pregadores e ensinadores quando se relacionam a essa passagem fogem da verdadeira lição que Jesus deixou nesta passagem. Como exemplo, temos o verso 10 deste capítulo que é o preferido de muitos que o usam para enaltecer a pessoa e a missão de Jesus em relação a figura do ladrão que veio para roubar, matar e destruir, qual afirmam ser o diabo. Seria o diabo esse ladrão como muitos pregam? Para sabermos quem de fato é, se faz necessários analisar o texto a partir do primeiro verso do capítulo 10.

Do verso 1 ao 6 Jesus conta aos ouvintes uma parábola falando sobre o ladrão e salteador, o curral das ovelhas, a porta, o porteiro e aquele que entra no curral pela porta. A parábola não foi entendida pelos ouvintes da época, assim como também ainda não é compreendida por muitos crentes. Neste artigo, vamos estudar detalhadamente esse ensino, da forma como Jesus desejou nos passar e assim vamos saber quem era ou quem é o ladrão.

O CURRAL DAS OVELHAS: “Na verdade, na verdade vos digo que aquele que não entra pela porta no curral das ovelhas, mas sobe por outra parte, é ladrão e salteador” (João 10 : 1).

O que viria a ser o curral das ovelhas? Podemos interpretar que quando Jesus falou sobre o curral estava falando de Israel com sua religião e suas leis dadas por Moisés. É interessante entender que as ovelhas em primeiro plano eram os judeus e não a igreja. Jesus vai falar sobre a igreja somente no verso 16, conforme explicarei depois. Sabemos que Jesus veio primeiramente para os judeus. Em João 1. 11 está dito que Jesus veio para o que era seu (judeus), e os seus não o receberam. Quando enviou pela primeira vez seus discípulos em missão de pregar as boas novas do reino, ordenou:"Mas ide antes às ovelhas perdidas da casa de Israel;" (Mateus 10 : 6). E Ele mesmo testificou dessa missão: "E ele, respondendo, disse: Eu não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel." (Mateus 15 : 24). Por aí vemos que as ovelhas que estavam no curral (Israel) eram os judeus.

Mas também Jesus deixa claro que havia aqueles que entravam no curral sem passar pela porta, aos quais Ele chama de ladrões e salteadores. Mas adiante quando Jesus passa a explicar a parábola Ele explica: “Tornou, pois, Jesus a dizer-lhes: Em verdade, em verdade vos digo que eu sou a porta das ovelhas” (Verso 7). Em seguida, mais uma vez Ele enfatiza que os ladrões e salteadores foram os que vieram antes Dele.“Todos quantos vieram antes de mim são ladrões e salteadores; mas as ovelhas não os ouviram” (verso 8). Sendo Jesus a porta, no período veterotestamentário, esta porta era a Palavra revelada pelos profetas (Hebreus 1 : 1). Palavra que na plenitude dos tempos se fez carne e habitou entre os homens (João 1 : 14).

Mas quem eram estes ladrões e salteadores? Jesus foi claro afirmando que eles haviam vindo antes dEle. Quando estudamos cuidadosamente as Escrituras, vamos entender que Ele estava se referindo aos pastores de Israel no antigo concerto. Pastores que não obedeceram a Palavra, isto é não entraram no curral pela porta, mas usavam de seus privilégios para extorquirem e se aproveitarem das ovelhas, como vaticinou o profeta Ezequiel: “Portanto, ó pastores, ouvi a palavra do SENHOR: Assim diz o Senhor DEUS: Eis que eu estou contra os pastores; das suas mãos demandarei as minhas ovelhas, e eles deixarão de apascentar as ovelhas; os pastores não se apascentarão mais a si mesmos; e livrarei as minhas ovelhas da sua boca, e não lhes servirão mais de pasto”. (Ezequiel 34 : 9 , 10). Os textos não deixam dúvidas de que esses ladrões e salteadores eram os maus pastores que por ganancia e avareza faziam o povo errar, dispersando as ovelhas, como profetizou também Jeremias: "Ovelhas perdidas têm sido o meu povo, os seus pastores as fizeram errar, para os montes as desviaram; de monte para outeiro andaram, esqueceram-se do lugar do seu repouso."(Jeremias 50 : 6).

A PORTA E O PORTEIRO: “Aquele, porém, que entra pela porta é o pastor das ovelhas. A este o porteiro abre, e as ovelhas ouvem a sua voz, e chama pelo nome às suas ovelhas, e as traz para fora” (João 10 : 2 , 3).

Sabemos que a porta do curral das ovelhas é o próprio Jesus. Mas Ele não é somente a porta, como também o pastor, afinal, Ele é o verbo vivo de Deus, a Palavra encarnada. Sobre Ele como fiel pastor, os profetas também falaram: “E suscitarei sobre elas um só pastor, e ele as apascentará; o meu servo Davi é que as apascentará; ele lhes servirá de pastor” (Ezequiel 34 : 23). Mas o pastor só entra no curral das ovelhas porque o porteiro lhe abre a porta. Quem seria este porteiro? Foi a Lei! A Lei guardou as ovelhas até a chegada daquele que seria o autor e o consumador da fé (Hebreus 12 : 2). Paulo, um judeu conhecedor da Lei nos explica sobre isso: "Mas, antes que a fé viesse, estávamos guardados debaixo da lei, e encerrados para aquela fé que se havia de manifestar. De maneira que a lei nos serviu de aio, para nos conduzir a Cristo, para que pela fé fôssemos justificados” (Gálatas 3 : 23). Sim, a Lei exerceu a sua função disciplinadora, guardando e protegendo as ovelhas até a vinda do sumo pastor que chamaria suas ovelhas pelo nome, pois Ele conhece Suas ovelhas. As que ouvem a sua voz saem do curral e são conduzidas para os montes, onde o pastor as apascentará e dará a elas bons pastos. "Em bons pastos as apascentarei, e nos altos montes de Israel será o seu aprisco; ali se deitarão num bom redil, e pastarão em pastos gordos nos montes de Israel."  (Ezequiel 34 : 14). É bem certo que essa profecia só ocorrerá no milênio, quando o restante dos judeus reconhecerem a Jesus como o verdadeiro pastor.

“E, quando tira para fora as suas ovelhas, vai adiante delas, e as ovelhas o seguem, porque conhecem a sua voz” (João 10 : 4). É interessante observar que o sumo-pastor veio para tirar as suas ovelhas para fora do curral e não para metê-las para dentro. Qual o motivo? Dentro do curral que também pode ser subentendido como a religião, não existe alimento sadio para as ovelhas. Por isso Ele as tira para fora e vai adiante delas conduzindo-as a bons pastos e segurança. Além do mais, dentro do curral as ovelhas ficam a mercê do ladrão e dos lobos, que estão infiltrados no meio das ovelhas (Mateus 7 : 15). A religião agia assim no tempo em que Cristo veio ao mundo. Observe que na parábola das cem ovelhas há o mesmo principio, onde o pastor deixa as noventa e nove seguras no deserto para ir a busca da que se perdeu: "Que homem dentre vós, tendo cem ovelhas, e perdendo uma delas, não deixa no deserto as noventa e nove, e não vai após a perdida até que venha a achá-la?"  (Lucas 15 : 4). Porque não no curral? Em contraste com a religião que aprisionava e aprisiona as pessoas, Jesus disse que edificaria Sua igreja (Mateus 16 : 18). E Igreja do grego “Ecklesia” quer dizer “tirados para fora”.

“Mas de modo nenhum seguirão o estranho, antes fugirão dele, porque não conhecem a voz dos estranhos”(João 10 : 5). Certamente aqui Jesus estava se referindo aos falsos Cristos e falsos profetas que nos dias anteriores à sua vinda surgiriam e enganaria a muitos (Mateus 24 : 24). Mas as ovelhas de Jesus conhecem a sua voz e não se deixam enganar. Infelizmente nos dias atuais os estranhos tem agido de forma inversa a de Jesus. Eles têm levado de volta as ovelhas para os currais da religião e gozado da atenção e companhia destas, enquanto que Jesus está sendo deixado do lado de fora (Apocalipse 3 : 20).

“O ladrão não vem senão a roubar, a matar, e a destruir; eu vim para que tenham vida, e a tenham com abundância” (João 10 : 10). Como sabemos, o ladrão é aquele que se apropria dos bens alheios. O ladrão também é aquele que age na surdina e sem que sua ação seja percebida. E, como foi explicado, o ladrão dentro do contexto da parábola é o falso ou mau pastor. Então, não é o diabo como muito se prega nas igrejas. Há pregadores que chegam até mesmo a mudar o título “ladrão” por “diabo” em suas pregações, mudando totalmente o sentido do texto. Todo pastor que distorce a Palavra é o que não entra pela porta que é Jesus (a palavra fiel). E quando ele modifica o que está escrito, acaba por furtar (roubar) as palavras de Deus: "Portanto, eis que eu sou contra os profetas, diz o SENHOR, que furtam as minhas palavras, cada um ao seu próximo." (Jeremias 23 : 30). Fazendo assim acabam por matar e destruir as ovelhas de Jesus, como os pastores citados em Ezequiel 34.

Nos versos 12 e 13, Jesus deixa bem claro que o ladrão é o mercenário, isto é, o falso pastor de quem não são as ovelhas. Este é o que se aproxima das ovelhas travestido de pastor por interesse no dinheiro ou nos bens que as ovelhas podem lhe proporcionar. É aqueles que come a gordura, se veste da lã, mata o cevado, mas não apascenta as ovelhas do Senhor (Ezequiel 34 : 3). Ele não fortalece as fracas, não cura as doentes, não liga a quebrada, não traz a desgarrada e nem busca a que se perdeu. Pelo contrário, age como um nicolaíta dominando sobre o rebanho que não lhe pertence (Ezequiel 34 : 5). Por essa razão que Jesus foi enfático quando disse que o ladrão veiopara a roubar, a matar, e a destruir. O ladrão se apropria de algo que não lhe pertence:“Mas o mercenário, e o que não é pastor, de quem não são as ovelhas,..” (João 10 : 12a). Mas Jesus veio para que as Suas ovelhas tenham vida, e a tenham com abundância.
O BOM PASTOR“Eu sou o bom Pastor; o bom Pastor dá a sua vida pelas ovelhas”(João 10 : 11). Em contraste com o ladrão que é o mau pastor, que é o ladrão que rouba, mata e destrói; Jesus é o bom pastor que dá Sua vida pelas ovelhas. Ao morrer na cruz, Jesus se deu pelos judeus que eram as ovelhas perdidas da casa de Israel e também pelos gentios, aqueles que haveriam de aceita-lo pela fé.

“Ainda tenho outras ovelhas que não são deste aprisco; também me convém agregar estas, e elas ouvirão a minha voz, e haverá um rebanho e um Pastor”(João 10 : 16). As outras ovelhas somos nós gentios que hoje formamos a Sua Igreja. Os gentios não faziam parte do aprisco (Israel), mas aprouve a Deus nos tornar seus filhos, pela fé que temos em Seu filho Jesus. “Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que crêem no seu nome” (João 10 : 12). Em Cristo Judeus e gentios foram unidos formando um só corpo – a Igreja (João 11 : 52 ; Efésios 2 : 15).

CONCLUSÃO

Como vimos, Jesus falou que o ladrão e salteador foram aqueles que vieram antes dEle, que eram os pastores de Israel que dispersaram as ovelhas do Senhor. Vimos também que Jesus deixou claro que o ladrão que veio para roubar, matar e destruir não é o diabo como se acredita, mas o mercenário que não é pastor. Em contraste com o ladrão Jesus se apresentou como o bom pastor que dá a vida pelas ovelhas; com sua morte expiatória Ele agregou outras ovelhas que a princípio não faziam parte do aprisco, qual é a Sua igreja.

A igreja de Jesus são as suas ovelhas que Ele as tirou para fora do curral da religião. Jesus veio para livrar Suas ovelhas do poder do ladrão. Mas, estaria ainda o ladrão, ou ladrões e salteadores agindo na igreja roubando e matando as ovelhas do Senhor?